Quem sou eu

sábado, 20 de agosto de 2016

Olha o Pokémon Aí, Geeeeeente!!!! / Watch the Pokémon There, Folks!!!!



Ao receber, no celular, o alerta de notícias avisando que o Pokémon Go já estava liberado no Brasil, minha amiga, jornalista e contemporânea no exercício na profissão, Juliana Vercelli (*), pediu a uma colega de trabalho que a ajudasse a baixar o aplicativo e lhe explicasse como o jogo funciona. Ao entender a dinâmica, me escreveu um email bem humorado, dizendo que como não nasceu ‘com chip incorporado ao cérebro, como os bebês de hoje, mas sim com válvulas’ J, não conseguia deixar de se surpreender com a nova tecnologia vitual que, certamente, viciará milhões de brasileiros. E completou:

“Quando criança, minha diversão tecnológica era acompanhar o meu pai trocando as válvulas queimadas do aparelho de TV J. Vi a evolução dos jogos do Pac Man e chego ao século 21 assistindo às pessoas capturando bichinhos virtuais em todos os lugares :-0 ! Não consigo processar, mesmo tendo trabalhado a vida toda na área de tecnologia da informação”.

Como Juliana, eu também atuei nessa área uma boa parte da minha vida profissional. Na verdade, ainda atuo como consultora, mas quando começamos, eu e ela, o setor era denominado informática, regido no Brasil por uma reserva de mercado, e quem se aventurasse por aquelas plagas precisava ter uma capacidade enorme para decifrar uma sopa de letrinhas de siglas, entender o seu significado e traduzi-la para a linguagem dos simples mortais. Steve Jobs e Bill Gates ainda se divertiam em suas garagens, inventando as interfaces que começariam a tornar esse universo mais amigável.

De lá pra cá, eu e a Juliana vimos tudo acontecer. Da quebra de paradigma dos MACs e PCs, que com suas janelas e menus, trouxeram a tecnologia como ferramenta para nossas mesas de trabalho, ao fenômeno da internet, que nos conectou ao mundo a partir de um clique e revolucionou a maneira como nos relacionamos. Se não tenho a pretensão de fazer aqui uma restrospectiva detalhada de toda essa história, acho que cabe compartilhar minha paixão pelo tema e a minha dificuldade em digerir e adotar as inovações tecnológicas no momento zero em que são lançadas.

E as duas coisas não deixam de estar ligadas. A paixão vem de uma perspectiva simplista, quase pueril, que encara a tecnolgia como a ponte que traz para a realidade o que antes só habitava o mundo dos mágicos e da fantasia. Para quem, como eu, cresceu viajando nas narrativas de Monteiro Lobato e Julio Verne, é quase como se a chave do tamanho fosse se materializar a qualquer momento J; e essa possibilidade é no mínimo fascinante.

É justamente esse fascínio que me faz desafiar meu conservadorismo para vencer a dificuldade em me aventurar na primeira hora na experimentação das tecnologias que acabam de sair do forno. Foi assim quando troquei a máquina de escrever pelo microcomputador, quando me convenci a substituir o pager pelo celular, quando adquiri meu primeiro smartphone e me curvei à necessidade de acompanhar as redes sociais por motivos além da obrigação profissional. Confesso que até hoje me atrapalho com a diversidade de comandos existente em qualquer controle remoto e que ainda dirijo um carro mecânico: um Ford KA 2006, que se chama Tomate (sim, ele é vermelho) e acaba de completar 20 mil quilômetros rodados.

Mas se a tecnologia embarcada em automóveis ainda não me seduziu, por outro lado, sou fã incondicional dos jogos on line. Eu sei, eu sei: é pouco coerente, mas a contradição é inerente ao ser humano, não é mesmo?. E por conta dela, aproveito qualquer tempinho que sobre para aprimorar meu desempenho no Candy Crash, no Farm Heroes e no Cupcake Mania, entre outros. E, agora, claro, no Pokemón Go!

Minha querida amiga Juliana que me perdoe, mas tenho achado um barato esbarrar nos monstrinhos dentro de casa J . Não sei se ainda vou tomar coragem para sair e caçá-los na rua – acho pouco provável – até porque, admito, tenho uma pontaria incerta e raramente as bolinhas têm alcançado os Pikachus, Poliwags e Charmanders. Resta, então, me contentar em fotografá-los; quem sabe para um novo álbum de família?

(*) A jornalista Juliana Vercelli trabalha na agência Market21 – Relações Públicas, Marketing & Comunicação e pode ser contatada através do Facebook facebook.com/juliana.vercelli e do Linkedin br.linkedin.com/in/julianavercelli  

...............................................................................................................................................



When my friend, the journalist Juliana Vercelli (*), was notified through her cellular that Pokemon Go had been launched in Brazil, she promptly asked a team mate to help her download the game and explain its dynamics. Then, she sent me a funny email saying she could not avoid the surprise with such a technology, since her brain “was built with valves instead of the chips babies are now born with”. And she completed:


“When I was a child, my high tech entertainment was to watch my dad replace ther burned valves in our TV set J. Over time, I saw the Pac Man games evolution and here I am in the 21st century watching people to chasse virtual pocket monsters everywhere. It is too much to process. Even to whom has worked most of its professional life in the technology industry, like me”.

As Juliana, I have also worked most of my professional life in this area. Actually I still working  with IT companies as a consultant, but when we started – she and I – the area was called Informatics, its operations in Brazil were limited by a market reservation and anyone who wanted to work with it had to prove the ability to translate a bunch o tech achronisms to a language everyone could understand. Steve Jobs and Bill Gates were still playing in their garages to create the interfaces that made that tech world friendly.

Since then, Julana and I watched everything happen. From MACs and PCs breakthrough, that transformed our daily work tools, to internet fenomena, that brought the world to our screens through a click and reshaped the way we connect to each other. If on one hand I do not intend to tell this whole story here, on the other I think it is worth to share my passion for technology and, at the same time, my permanent resistance in adopting the new ones in their launch first moments.

Actually, I believe the two things are related. The passion comes from the simplistic, almost childish, perspective that technology is the bridge that brings to reality everything that, till then, belonged to the magic and fantasy world. To whom, like me, grew up reading Monteiro Lobato (**) and Julio Verne (**), it is as if what they described in their books could become real at any time J and this is fascinating.

And this fascination is what makes me challenge my conservative resistance to new technologies to try them. It was like this when I replaced my typewriter by a PC, my pager by a mobile phone and  when I bought my first smartphone and accepted I should connect with people through social media not only for professional reasons. I confess that till today I still getting confused by the excessive number of keys in any remote control and that I still driving a mechanic car – a Ford KA 2006, called Tomato (yes, it is red) and that has just completed 20.000 miles driven.

But if cars embarked technologies have not seduced me, I am a big fan of on line games. I know, I know this is not coherent, but  human beings are made of contraditions, aren’t them? And this is why I save some of my spair time to improve my performance in Crazy Crash, Farm Heroes, Cupcake Mania, among others. And now, of course, Pokémon Go!

So, excuse me my dear friend Juliana, but I have been enjoying to bump with the pocket monsters at home. I do not know if I will have the courage to chasse them outdoors – probably not --  because I am not good on taking aims and the virtual balls have been rarely reaching the Picachus, Poliwags and Charmanders. I have been compensating my lack of hability taking pictures of them; maybe to create a new family album J … Who knows? 

(*) The journalist Juliana Vercelli works for the agency Market21 – Relações Públicas, Marketing & Comunicação and can be reached through Facebook facebook.com/juliana.vercelli and Linkedin br.linkedin.com/in/julianavercelli  

(**) Monteiro Lobato is a Brazilian writer. Julio Verne is a French writer. 

sábado, 13 de agosto de 2016

Entre Trilhas e Trilhos / Among Trails and Tracks


"Amigos, estou precisando trabalhar. Como atriz  ou jornalista. Tem horas que fica difícil. Ainda não tinha encarado essa. Alguém precisa de mim?”

O comovente desabafo da atriz Joana Fomm, no Facebook e que repercutiu em tantos veículos de comunicação, me fez questionar como uma profissional com o seu talento e mais de 60 anos de carreira precisa fazer um apelo público para conseguir trabalho. Na verdade, me fez pensar em alguns ótimos profissionais com quem convivi e convivo, que estão em situação semelhante à da artista. Me levou a refletir sobre que perspectivas de trabalho continuam abertas para quem, (como eu!), está a caminho dos 60 anos.

Em busca de subsidios para a reflexão, contatei minha amiga, coach e psicóloga, Cecília Andrade (*), com a pergunta na ponta da língua. E, claro, a resposta não é binária. Para ela, nossa “curva” para o trabalho se apresenta em três tempos. Ou seja:

“O tempo I, que se estende entre  os nossos 7 e 24 anos  – explica ela – é o momento de prepararmos nossa mala de ferramentas. É o ciclo da preparação, seja através de uma trajetória acadêmica ou do aprendizado prático de um ofício, quando esse não ocorre na escola. Do ponto de vista financeiro, é um período de investimento, de gastos de recursos, em que as pessoas precisam ser ajudadas, amparadas”.

Após esse ciclo que Cecília também define como “de plantio”, vem o tempo II, que se estende entre nossos 25 e 60 anos (estou quase lá!) e demanda colocarmos em prática tudo o que aprendemos, além de ganharmos mais conhecimento através de pós-graduações e do exercício da própria profissão. “É também o tempo para reservarmos uma parte dos frutos do trabalho, a fim de termos uma poupança para o ciclo seguinte. É o ciclo de colher e armazenar; um dever de casa que todos deveríamos fazer”, diz ela.

Armazenar para enfrentar o período que se estende entre os 60 anos (Opa!) e o final da vida. O ”tempo III”,  que, na definição da coach, tanto pode se traduzir: num momento para usufruir o que construímos; numa fase para desenhar novos planos de vida e de atividade produtiva; ou num ciclo de declínio e escassez, devido à inexistência de recursos financeiros ou problemas de saúde. “E mesmo em um cenário de escassez – continua ela – o tempo é de procurar trabalho em vez de emprego.”

Segundo Cecília, um idoso pedindo emprego fica “fora de tom”, personifica quem não fez a lição de casa do ciclo II e experimenta o desamparo; enquanto alguém que se reinventa profissionalmente depois dos 60 anos dá vida à multiplicidade que todos nós temos. Nas palavras dela, “todos podemos desenvolver novas habilidades. Para isso, basta estarmos alertas, pois, nossa vida é construída  a partir dos nossos talentos, da nossa atividade, consciência, identidade e afetividade no exercício de nossos papéis e em nossos grupos sociais.”

Entendi. Entendi tudo. Mas, mesmo assim, ainda me vejo aqui estupefata com situações como:
  • A de uma amiga jornalista, de 55 anos, que apesar do texto brilhante e do trabalho inovador que rendeu vários prêmios para a publicação onde trabalhava, foi substituída por dois repórteres de 23 anos. Justificativa do empregador: “precisamos de sangue novo”.
  • A de dois profissionais referência na área de comunicação corporativa que, aos 66 anos, sobrevivem fazendo 'bicos'  em agências, enquanto tentam concluir um mestrado para se habilitarem a lecionar em universidades. "A experiência de 35 anos dirigindo a comunicação de grandes empresas não é credencial suficiente", afirmam as instituições, que, por sua vez, têm que cumprir as exigências de docentes diplomados do Ministério da Educação.
  • A de um alto executivo do setor farmacêutico que perdeu o emprego, um ano e meio atrás, quando completou 57 anos, e só conseguiu se recolocar no mercado, depois de abrir mão de 50% do salário e dos benefícios que recebia na empresa. “Pacote como o que você tinha, só se oferece hoje a quem está na faixa dos quarenta”, teve que ouvir do recrutador.  

Acho que a minha estupefação coincide com a constatação de eu ter tido a sorte de não protagonizar qualquer dessas situações. A verdade é que, até completar 50 anos, eu jamais pensei  sobre esses tempos que a Cecilia tão bem definiu. Trabalhava 14 horas por dia, muitas vezes sete dias por semana, e achava que a vida era isso, ponto. Afinal, eu adorava o que eu fazia (!) e isso sempre justificou o ‘rala e rola’ do plantão permanente.

Foi só a partir da quinta década que comecei a perceber que ter um emprego é apenas uma das alternativas do cenário produtivo e que, se eu quisesse responder às inquietações que começavam a me assombrar, teria que ser mais dona da minha agenda, do meu tempo; portanto, haveria que buscar outras opções. Não foi por acaso que, há pouco mais de um ano, abdiquei do esquema 24x7, para voltar a atuar como consultora. Não é coincidência eu hoje me permitir explorar outros caminhos, incluindo os que me trouxeram de volta ao exercício de escrever e à criação deste blog.

Porém, só consigo enxergar tudo isso com clareza agora; principalmente depois de ter conversado com a Cecília J. E fico, aqui, pensando como tantas vezes a gente vai levando a vida de roldão, como se tivesse ativado um piloto automático, e só para pra prestar atenção em onde está, como está e onde quer chegar, quando é atropelada por algum fato, alguma situação, que nos atordoa como o impacto de um trem desgovernado. Não sei se foi isso o que aconteceu com a atriz Joana Fomm e com os outros profissionais que citei aqui – quem sou eu para dizer? – mas tenho a sensação (boa) de que escapei de descarrilar.


(*)  Cecília é sócia-diretora da Cecília Andrade Coaching e Psicologia Organizacional e pode ser contatada pelo Linkedin https://br.linkedin.com/in/cecilia-andrade-063988125 ou pelo email ceciliacarmenandrade@gmail.com
...................................................................................................................................................................................................

“Hey, buddies, I need to work. Either as actress or as journalist. I am facing a difficult moment I have never faced before. Does someone need me?”

Joana Fomm’s touching ventilation on Facebook made me question how an actress of such talent and a sixty year career needs to beg publicaly for work. Actually, this made me think about some great professionals I know who are facing a similar situation. It made me also wonder about what work perspectives still existing for someone (like me!) who is up to turn sixty.

Searching for answers, I called my friend, coach and psychologist, Cecília Andrade (*). Of course I did not get a binary response. In her view our work cycle is split in three turns. They are:

“The first turn happens between our seven and 24 years old – she says – and is the moment of preparing our ‘tool case’. It is the moment we are at college to get a graduation or learning a profession. Financially it is a moment of investment, in which people need to be supported”.

After this cycle, which Ms Andrade also calls as ‘seeding time’, we have the second turn, between our 25 and 60 years old, that demands we practice everything we have learnt, besides improving our knowledge through addional certifications. “This is also the moment to save a portion of what we achieved with our work to have savings to face the next cycle – she says. It is the ‘harvest and store time’: a homework all of us should do.

Save to go through the third turn, that happens from the sixties till the end of our lives. In Ms Andrade view, this period of time can be a joyfull moment, in which we enjoy everything we have achieved and/or start planning a new life, with new activities, or a difficult one, due to financial shortage or health issues. “But even in a shortage scenario, she says, it is time to look for work, not for an employment”.  

According to Ms Andrade, an aged person begging for a job sounds ‘out of the blue”, because personifies someone who has not done the second turn homework and is helpless. On the other hand, someone who reinvents him/herself after turning sixty bring multiplicity to life and becomes an inspiration.

I got it. I got it all. But even though I feel schocked with situations, such as:
  • A 55 year old friend who, despite of being brilliant and recognized as a very good journalist, was replaced by two 23 years old reporters. “We need new flash’, her editor said.
  • Two 66 year old communications professionals, who, regardless of their 35 year careers that were inspirational to a whole generation, are now surviving as free lancers while trying to get a master degree to be allowed to teach in universities. According to Brazilian laws their experience is not enough, they need the certificate to become a teacher.
  • The 57 year old executive from the pharmaceutical industry, who lost his job eighteen months ago and only got a new one when he accepted a compensation package 50% lower than the one he used to have. “Nowadays, only people around the forties get that compensation level”, he heard from the recruiter. 

I guess my schock has to do with the fact I feel lucky for not facing any of these situations. Because the truth is till I turned fifty I never considered those three turns that Ms Andrade well defined. I worked fourteen hours a day, many times from Monday to Sunday, and was sure that that was what life should be like, period. After all, I loved my job (!) and that has always justified the permanent stand by mode.

It was only after turning the fifth decade that I started realizing that having a job was only one of the options to be productive and make money. That if I wanted to find the answers to some of the uneasy questions that were beginning to haunt me, I would need to own my agenda; so, I would have to find another working model. It is not by coincidence that less than a year ago I retired from my job and restarted a consultant career. It is not by chance that today I can allow me to explore new trails, including the ones that brought me back to writing and even to this blog.
However, I can only see it clearly now, mainly after chatting with my friend Cecília J . And that makes me think about how, many times, we live as if we had activated an automatic pilot and only starts paying attention on where we are, how we are and where we want to go when something knocks us down as an off the track train would do. I will not say that this is what happened to the actress Joana Fomm and the other people I mentioned in this post – who am I to tell? – but I have to say that, regarding myself, I have the good sensation that I have escaped from the train.


(*) The coach and psychologist Cecilia Andrade owns her business – Cecilia Andrade Coaching and Organizational Psycology – and can be contacted through Linkedin  https://br.linkedin.com/in/cecilia-andrade-063988125 or email ceciliacarmenandrade@gmail.com

sábado, 6 de agosto de 2016

Escrito nas Estrelas / Written in the Stars


Quero iniciar este post agradecendo aos leitores que vêm acompanhando o 2 x Trinta, desde que foi lançado, há quatro semanas e, que,  através de emails, comentários no próprio blog, mensagens no Whatsapp e nas redes sociais, têm incentivado essa minha jornada como blogueira. Me questionei muito até decidir enveredar por ela,  preocupada com o compromisso de publicar um post por semana e de abordar temas relevantes para manter o blog vivo, pelo menos durante um ano.

Em vez de responder ao meu próprio questionário, resolvi simplesmente tentar e aproveitar minhas incertezas para traçar o caminho na medida que o vou trilhando. E constato que isso tem determinado um bocado do meu foco. Me percebo, diariamente, acompanhando o noticiário relacionado à maturidade à cata de pautas; me vejo, deliberadamente, seguindo cinquentões, sessentões e afins, nas redes sociais, em busca de inspiração; ao mesmo tempo que me flagro, uma vez ou outra, esticando o pescoço para ouvir conversas de terceiros, quando ali identifico o potencial para um futuro post.

E foi entreouvindo uma dessas conversas alheias que, semana passada, num café de shopping, acompanhei fragmentos de uma discussão quase filosófica entre duas mulheres sobre o mapa astral de cada geração. Uma se dizia vivendo o ápice do segundo retorno de Saturno, que, segundo ela, ocorre aos 59 anos (a minha idade!) e implica a necessidade de rever questões estruturais da vida, enquanto a outra, cética, debochava: “pra você tudo está escrito nas estrelas! Se eu fosse depender de horóscopo, não teria permanecido no mesmo casamento há 30 anos, não teria me aposentado no meu primeiro emprego e ainda estaria questionando a hora certa de ter meu primeiro filho!..”.

Não consegui acompanhar o desenrolar da conversa, mas a história do horóscopo geracional  ficou martelando na minha cabeça. Liguei então para a minha amiga, astróloga e artista plástica, Denise (Denny) Campinho (*),  que consultando seus alfarrábios confirmou a história do retorno de Saturno aos 59 anos.

Ela me explicou que esse ciclo realmente traz a necessidade de “fazer mergulhos profundos para criar novas estruturas a partir do que você já fez na vida”. Pressupõe, nas palavras dela: “amadurecimento, crescimento interior e preparação para mudanças que virão a seguir, com o ciclo de Júpiter”. Segundo a Denny, Júpiter retorna a sua casa natal a cada 12 anos; portanto, ao completar 60, experimentamos o seu quinto retorno. Isso traz “expansão, novas opções, ao mesmo tempo que resgata habilidades que muitas vezes ficaram para trás”, diz ela.

Pensando sobre os quatro retornos anteriores, fiz minhas contas rapidamente e constatei que Júpiter pode realmente ter influenciado ciclos na minha vida. A ver:

  • ·      Aos 12 anos, saí de um pequeno colégio onde conhecia todo mundo e fui estudar em um de quase mil alunos; também entrei na puberdade e tive meu primeiro namorado.
  • ·      Aos 24, consegui meu primeiro emprego em um grande jornal e superei a primeira crise no primeiro casamento (que ainda durou mais quatro anos).
  • ·      Aos 36, Enfrentei uma mononucleose que me obrigou a um sabático de cem dias e casei a segunda vez. Dois anos mais tarde ficaria víúva de forma trágica.
  • ·      Aos 48,  mudei para São Paulo, em virtude de uma promoção no trabalho, e consolidei o terceiro (atual e definitivo) casamento, iniciado três anos antes.

E eis-me aqui, às vésperas dos 60 anos, me preparando para o próximo retorno de Júpiter.  A julgar por tudo o que a Denny falou, toda a minha inquietação, todas as questões que tenho em aberto e até a criação do 2xTrinta fazem parte desse processo. Ou seja: está tudo escrito nas estrelas, como definiu uma das interlocutoras da conversa alheia que deu origem a este post.

Eu só espero, caríssimos leitores, que, escrita nas estrelas ou não, vocês continuem nessa aventura comigo. Até porque, segundo a astróloga, “após o retorno de Júpiter,  vem o ciclo de Urano” e, Urano, digo eu, parece ser cascudo, pois, “rompe padrões preestabelecidos e busca a originalidade, singularidade na expressão, assim como a necessidade de se fazer algo pelo coletivo. Não é um ciclo tranquilo  e pode gerar ansiedade”.

Se este blog sobreviver até lá, prometo compartilhar com vocês o que Júpiter e Urano terão me reservado.

(*) A astróloga e artista plástica Denise Campinho pode ser contatada pelo email denisecampinho@terra.com.br

................................................................................................................................................................

I want to start this post thanking the readers who have been following Twice Thirty since it was launched, four weeks ago, and who have been supporting my blogger journey through emails, comments in the blog itself, WhatsApp and social media. I questioned myself a lot before deciding to do this, because I was not sure I would be able to create a new post on a relevant matter every week to keep the blog alive at least for a year. Without many answers, I decided to give it a try and now I realize, since then, this has been determining my focus. I  find myself obsessively reading the news on maturity to identify approachable subjects;  following who have turned fifty, sixty and so in social media to seak for inspiration; and, even, stretching my neck over third parties conversations, when, once in a while, I identify there a potential topic for a future post.

And it was from one of those conversations that this post came to life. In a mall cafe, two women discussed the influence of astrology on each generation. One of them said she was experiencing 'the core of the second Saturn's return", which, according to her, happens when we are 59 years old (my age!) and means we feel the need of reviewing everything in life. The other, absolutely sceptical, mocked, saying: 'for you everything is written in the stars! If I had relied on zodiacs, I would not have kept my marriage for 30 years now, would not have retired from my first and only job and would still thinking if I should have my first kid!" I did not stay to see how that conversation ended, but the story on the generational horoscope kept hammering on my mind, so I called my friend,  the astrologist and artist, Denise Campinho (*). And she confirmed the Saturn's return when we turn 59.

She explained that Saturn really brings the need of "deep dives to build new emotional structures based on what we have already done in life". In her words, this happens in preparation to the next cycle that starts in the sixties: the Jupiter's cycle.

"Jupiter returns to where it was in the sky when we were born every twelve years", she says, "so, when we turn 60, it is its 5th return. And this brings new options, a lot of expansion, at the same time, it recovers abilities that many times we forgot we had".

Thinking about Jupiter's four previous cycles, I notice it may have influenced my life. For example:

  • When I was twelve I left a small school where I knew everyone to join a big one with almost one thousand students; I also got into puberty and had my first date,
  • When I was twenty four, I got my first job in an important newspaper and overcame the first turn around in my first marriage that lasted additional four years.
  • When I was thirty six, due to a mononucleosis, I was forced into an one hundred sabbatical days. I also got married for the second time (two years later, my husband died tragically).
  • When I was forty eight, the company I worked for promoted me and asked me to move to São Paulo. That move made my current and definitive marriage solid.


And here I am, on my way to the sixties, preparing myself for the next Jupiter's cycle. My friend astrologist, says most of the emotions I have been feeling, the questions I have been asking and even the creation of this blog have to do with this prep process. That means: everything is written in the stars, as one of the ladies in that mall conversation said. I only hope,dear readers, that written in the stars or not, you stick with me in this adventure, because I will need support. According to Denny, "Uranus comes after Jupiter and breaks the existing standards to pursue originality, new ways of expression and the need to build something collectively. And all of this can generate anxiety".

If this blog survives till there, I promise to share with you all the stuff Jupiter and Uranus may have reserved to me.

(*) The astrologist and artist Denise Campinho can be reached through the email denisecampinho@terra.com.br